Conhecendo a Terra dos Faraós até debaixo d’água

March 26, 2019

 

 

O planeta Terra é coberto por mais de 70% de água, ou seja, temos muitos lugares para mergulhar, mas poucos locais conseguimos unir as trips de mergulho com passeios culturais incríveis como no Egito. Afinal de contas, quem nunca sonhou em estar de frente às Pirâmides de Gizé, à Esfinge ou ver um sarcófago e uma múmia egípcia de perto?

 

O país mais populoso do continente africano, estima-se que tenha mais de 90 milhões de habitantes, é um dos mais visitados pelos turistas pelo seu legado cultural, sítios arqueológicos e, claro, pelos mergulhos no Mar Vermelho.

 

Quando estudamos as antigas civilizações na escola, o Egito sempre despertou fascínio de muita gente pelas figuras mitológicas, disputas de poder e o legado de seu povo que era muito à frente de seu tempo porque construíram pirâmides com mais de 100 metros de altura com blocos de pedra que pesavam mais de 2 toneladas cada uma contando com a “tecnologia” de 5000 anos atrás.

 

 

 

Estar em frente à única das Sete Maravilhas do Mundo que sobreviveu ao tempo é realmente indescritível. As Pirâmides de Gizé foram construídas no Antigo Egito, para que faraós e sacerdotes fossem mumificados e seus corpos eram guardados no interior das pirâmides juntamente com suas riquezas (ouro, jóias, objetos de valor), pois os egípcios acreditavam na vida após a morte.  

 

Para eles, as pirâmides representavam os raios do sol brilhando na direção da Terra e ajudaria a alma do finado encontrar o seu corpo novamente para ter vida outra vez, por isso o corpo precisava ser preservado para receber de volta a alma do faraó.

 

 

 

Outro lugar ícone do Egito é a Esfinge que representa a cabeça do faraó Quéfren em corpo de leão e fica no mesmo complexo onde estão as pirâmides de Gizé, porém para ser vista de perto é necessário caminhar no sol escaldante por uns 15 minutos e para vê-la de frente com as pirâmides ao fundo, outra caminhada de mais 10 minutos. É tão surreal estar naquele lugar que é fácil perder a hora de ir embora por ficar contemplando a paisagem.

 

 

 

À noite, os turistas podem prestigiar o show de som e luz nas Pirâmides, sentados numa arquibancada de frente para a Esfinge. Enquanto são contadas as histórias das dinastias egípcias, os jogos de luzes nas pirâmides criam um espetáculo fantástico.

 

 

Ir ao Cairo exige mais três paradas obrigatórias: a Mesquita de Mohammed Ali, o Museu do Cairo e o famoso Bazar Khan El Khalili.

 

Mohammed Ali foi comandante das tropas libanesas enviadas para libertar o Egito da ocupação de Napoleão e na primeira metade do século XIX construiu a maior mesquita otomana no cume da Cidadela do Cairo. A mesquita feita de alabastro e mármore é um dos marcos e atrações turísticas da capital e pode ser vista de qualquer lado quando se aproxima da cidade.

 

 

Já o Museu do Cairo é encantador pelas suas diversas salas e galerias cheias de estátuas, sarcófagos, esculturas de diversos faraós, com destaque para a sala das múmias e os tesouros de Tutankamon.

 

Para quem gosta de levar souvenir e outras lembrancinhas do país, o Bazar Khan El Khalili, simplesmente, Mercado do Cairo, é o local perfeito. Um absurdo de ruelas com centenas de lojinhas que vendem de tudo é uma espécie de “25 de Março” do Egito.

 

 

A maioria das coisas vendidas são de qualidade duvidosa ou “cópia original” de produtos de marca, mas é preciso negociar bastante ou deixar de comprar.

 

Muitos vendedores são poliglotas e falam português (ou “portunhol”) o que facilita a barganha e os produtos podem custar 1/4 do valor que o vendedor ofereceu. Ter Libras Egípcias facilita ainda mais o pagamento porque o câmbio deles é péssimo para pagar em Euro ou Dólar.

 

 

 

 

Além disso, é preciso ficar esperto porque eles tentam vender réplicas pelo mesmo preço dos objetos verdadeiros e a palavra mágica quando você não quiser comprar algo ou ser importunado por vendedores é “La shukran”, que quer dizer “Não, obrigado”.

 

Viajar para o Egito e não visitar Luxor não tem graça. Apesar das atrações que mais chamam a atenção do país serem as pirâmides, é em Luxor que o visitante sentirá o que foi o Império Egípcio e poderá visitar os grandes templos e mausoléus dos principais faraós: Tutankamon, Seth e Ramsés. Distante apenas 1h de voo do Cairo e pouco mais de 3h de carro de Hurghada, Luxor guarda incríveis riquezas do Egito Antigo e os templos, obeliscos e monumentos levarão o visitante a refletir sobre os significados dos hieróglifos das majestosas colunas de Karnak.

 

 

 

 

À margem oeste do Rio Nilo, encontra-se o santuário de Hatshepsut, a primeira faraó mulher da história do Egito.

 

 

A viagem pode ficar ainda mais incrível sobrevoando o Vale dos Reis num balão, mas para isso, é preciso sair às 3h da manhã para chegar até o local de partida. O hotel pode preparar e embalar alguns itens de café-da-manhã para levar, pois geralmente, os hóspedes farão outros passeios logo após o balão.  Não permitiram que levássemos mochilas ou câmeras grandes para dentro do cesto e o celular acabou sendo o salvador da pátria para registrarmos as imagens fantásticas. Por tanto, vale levar o dinheiro e documentos dentro de pochetes ou “porta-dólar”. A experiência é inesquecível.

 

Ainda é possível conhecer as fábricas de tapetes egípcios, de objetos de alabastro, de papiro, de essências e muito mais.

 

Você deve estar se perguntando: “E os mergulhos?”

 

O Egito é tão incrível que você pode conhecê-lo até debaixo d’água. Localizado entre a África e a Ásia, o Mar Vermelho banha 8 países e se comunica tanto com o Oceano Índico ao sul como com o Mar Mediterrâneo ao norte. O mar tropical mais próximo da Europa é famoso pelos seus corais exuberantes e inúmeras variedades de peixes.

 

 

O Mar Vermelho, que recebe este nome por causa da alga Trichodesmium erythraeum, oferece mergulhos para todos os níveis de certificações, inclusive mergulho técnico nos paredões e naufrágios da Segunda Guerra Mundial.

 

 

A maioria das embarcações que fazem os roteiros do norte partem das cidades de  Sharm el Sheik e Hurghada. Já as embarcações que fazem o roteiro do sul (Brothers, Daedalus e Elphinstone), saem de Port Ghalib e Marsa Alam.

 

O roteiro norte é famoso pelos inúmeros naufrágios que ficaram ainda mais conhecidos no Brasil depois do programa “Naufrágios” do Canal OFF. Nos liveaboards que fazem o roteiro “The Best of Wrecks” é possível fazer 11 naufrágios diferentes em 6 ou 7 dias de mergulhos, com direito a mergulho noturno no lendário SS Thistlegorm.

 

 

Os valores dos liveaboards podem variar de 330 a 1100 euros dependendo do roteiro, quantidade de dias embarcados e a categoria do barco/cabine.

 

A maioria das operações são feitas com “zodiac”, uma espécie de bote inflável que leva os mergulhadores até os pontos de mergulhos, pois os barcos ficam atracados em locais abrigados das ilhas ou recifes. Alguns botes possuem cilindreira para colocar o equipamento de mergulho e se equipar somente quando chegar no ponto. Nos zodiacs menores, o mergulhador precisa navegar de 15 a 20 minutos todo equipado. Para quem possui restrições na coluna isso pode ser um problema.

 

Um resumo de alguns pontos de mergulho que conhecemos:

 

The Brothers Island (Big Brother and Small Brother) são duas ilhas no meio do Mar Vermelho e cada uma é pouco maior que um campo de futebol. Elas abrigam dois naufrágios lindos: Ainda e Numídia. Na ilha ainda é possível encontrar estações de limpeza de tubarões, raias manta, barracudas, napoleões, garoupas e outros pelágicos. Por se tratar de um lugar remoto e desabrigado, geralmente tem correnteza e os mergulhos são profundos.

 

O Aida, um cargueiro de suprimentos do exército egípcio naufragou em 1957 ao colidir com a ilha. A popa está aos 25m de profundidade e a proa ao 60m, inclinado quase na vertical. A entrada para penetração fica por volta dos 30m e a primeira saída aos 43m.

 

O Numídia naufragou em 1901 depois que o capitão foi dormir e o navio colidiu com a ilha. O naufrágio do cargueiro britânico também é profundo e os primeiros destroços começam aos 30m até os 80m. O retorno desses mergulhos é no paredão de corais coloridos de Brothers Island e, com sorte, é possível encontrar o tubarão-gralha-branca-oceânico (Carcharhinus longimanus) rodeando o barco principal.

 

O Salem Express tem um ar de mistério que oprime qualquer mergulhador. Naufragado em 1991, o Salem levou mais de 500 vidas com ele numa das maiores tragédias do Mar Vermelho e o respeito às vítimas deve estar presente na mente de cada mergulhador que visitar este naufrágio.

 

O Salem era um ferry boat que voltava da Meca com veículos e mais de 1600 passageiros (número extra oficial), quando um tempestade fez o navio se aproximar do recife de Hyndman, onde se chocou e afundou em menos de 30 minutos.

 

 

 

Mergulhar no Salem Express é uma experiência única e pode-se encontrar vestígios dos passageiros, roupas, brinquedos e pertences pessoais, mas é importante seguir a máxima de “olhar e não tocar”.

 

O capitão Jacques Cousteau chamava o Mar Vermelho como o “corredor das maravilhas” e não é à toa. Um dos mergulhos mais incríveis do Egito é no Ras Mohammed National Park, um recife em forma de pináculos com mais de 700 metros de profundidade e estupidamente colorido com morais moles, rígidos, gorgônias e peixes, muitos peixes! São mais de 1000 espécies em apenas 480 km². Neste recife encontram-se diversos naufrágios, mas conhecemos apenas deles: Yolanda e Dunraven.

 

 

Shark & Yolanda Reef: apesar de não ver nenhum tubarão, o “Shark Reef” deixa qualquer mergulhador fascinado pelos seus paredões de corais coloridos, preenchidos com os milhares de peixinhos alaranjados (Anthias squamipinnis). No azul do paredão passam os cardumes de peixes pelágicos, inclusive o famoso peixe Napoleão (Cheilinus undulatus), que é da família dos bodiões e é típico no Oceano Índico, mas também muito comum no Mar Vermelho.

 

 

A correnteza do local nos leva para o Yolanda Reef, o naufrágio das louças sanitárias de porcelana incrustadas de corais e habitadas por centenas espécies de peixes.

 

 

 

O navio Dunraven carregava lã e algodão quando incendiou e naufragou em 1876 ao chocar-se com o recife de Beacon Rock. O navio está de cabeça para baixo, é facilmente penetrado e a comunidade recifal que o habita é abundante.

 

O Rosalie Moller é um daqueles naufrágios emblemáticos deixados no fundo do Mar Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial e que se transformou num prazer para os mergulhadores mais experientes. O navio carregava carvão e levou 11 vidas com ele ao ser bombardeado por aviões, juntamente com o lendário SS Thistlegorm. O Rosalie não está nas rotas regulares de mergulhos por ser um naufrágio profundo (começa aos 35 metros), geralmente tem forte correnteza e a visibilidade não é das melhores.

 

O recife de Abu Nuhas é um cemitério de naufrágios e está estrategicamente posicionado nas faixas de navegação do Golfo de Suez. Quatro naufrágios podem ser visitados neste local: Chrisoula K (ou Marcus), Kimon M, Carnatic e Giannis D, todos de fácil penetração e um colorido vibrante pelas suas coberturas coralíneas.

  

 

 

O Giannis D é uma das silhuetas mais bonitas do Mar Vermelho, mas o seu interior pode ser desorientador porque o naufrágio está adernado e o mergulhador pode ter tontura e mal-estar.

 

 

 

Mas não poderia deixar de mergulhar naquele que é um dos naufrágios mais famosos do mundo: o SS Thistlegorm. O cargueiro que naufragou em 1941 após ser bombardeado por aviões, estava carregado com suprimentos para o exército britânico como: locomotivas, motocicletas, caminhões, tanques de guerra, armas, munições, baterias de canhões e muito mais.

 

 

Os liveaboards fazem de três a quatro mergulhos no Thistlegorm, sendo um deles, noturno e um ou dois de penetração. Por ser um dos mais visitados naufrágios do mundo, os mergulhos da manhã costumam ser excessivamente crowdeados porque todas as embarcações que fazem saídas diárias do continente vão para o Thistlegorm.

 

Gostou? Então, seguem algumas dicas:    

 

Chegar no país é relativamente fácil. Os voos que saem do Brasil levam mais de 20h e fazem escalas por diversos países da Europa e África. Por isso, se possível, é recomendado fazer um stopover em algum lugar no meio do caminho para descansar e as sugestões são Itália, Turquia, Dubai, Alemanha e Portugal.

Os brasileiros precisam de visto e os mesmos podem ser emitidos nas embaixadas brasileiras localizadas em Brasília e no Rio de Janeiro ou nos aeroportos do Egito no momento do desembarque por apenas 25 dólares e sem nenhuma burocracia.

 

As melhores épocas para mergulhar no norte do Mar Vermelho são os meses de Abril/Maio e Outubro/Novembro, pois a temperatura pode ficar entre 28-35 graus durante o dia e 14-20 graus à noite. A temperatura da água fica por volta dos 22-25 graus nesta época do ano. Durante os meses de Junho a Setembro, a temperatura do ar fica em torno dos 40-42 graus durante o dia e 26°C à noite.

 

Moeda: tanto o dólar quanto o euro são muito bem aceitos em qualquer lugar, porém a conversão deles é péssima, pois os nativos têm dificuldades de trocar o dinheiro estrangeiro por libras egípcias. Recomenda-se trocar pouco dinheiro para a moeda deles para poder barganhar melhor alguma compra de souvenir e até mesmo bebidas e lanches. Tenha sempre na carteira notas de baixo valor para gorjetas (1 dólar, 20 libras egípcias, 1 euro).

 

Ramadã: no período em que os egípcios estão no Ramadã, os horários dos passeios, museus, templo são alterados e muitos restaurantes não abrem à noite. Portanto, programe-se. O ideal é sair bem cedo do hotel para os passeios (algo em torno de 6:30h/7h) e retornar por volta das 14h por causa do calor e horário de funcionamento dos locais turísticos.

 

Vestimentas: o Egito é um país muçulmano e recomenda-se respeitar a cultura deles. Os visitantes devem evitar vestir-se de maneira vulgar, usar roupas justas, curtas ou decotadas. As mulheres podem levar um lenço, pashmina ou echarpe na bolsa para cobrir ombros e peito quando visitarem as mesquitas e templos, até mesmo para evitarem insultos ou olhares constrangedores dos homens nas ruas.

 

Hotéis e guias turísticos: não economize em hotéis e guias nos passeios terrestres. Os hotéis 5 estrelas com all inclusive são estupidamente baratos e os guias credenciados, além de serem úteis para contar as histórias dos locais turísticos (inclusive em português), servem para evitar qualquer gasto desnecessário como pagar para entrar com câmeras nos túmulos dos faraós, recomendar restaurantes e organizar a programação dos passeios de acordo com o interesse e disponibilidade do visitante.

 

Água: você pode esquecer de tudo o que leu nesta matéria, mas a coisa mais importante que deve lembrar é de beber água. Muita água! Quando você achar que já bebeu água demais, beba mais um pouco e preste atenção na cor da urina: se estiver amarela escura, beba muito mais água. Com o calor do Egito, o corpo transpira e nem percebemos, pois, o suor evapora em instantes por causa do clima seco. O corpo perde muito líquido e mesmo bebendo água é possível que você urine poucas vezes ao dia. É muito comum ter problemas de dores de cabeça e diarreia por causa da desidratação, principalmente nos dias de mergulho. Então, nada de economizar e ter preguiça de levar garrafinha na mochila: beba muita água!

 

Com quem mergulhamos:

Dive Safari Master – Barco Heaven Ruby – site: http://divesafarimaster.com

 

Hospedagem:

Hurghada: Mercure Hurghada

Luxor: Sonesta St. George

Cairo: Le Meridien Pyramids

 

Passeios terrestres/guias:

Memphis Tour – site: https://br.memphistours.com/

 

 

 

 

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© 2020 Erika Beux.