África para os fortes

February 13, 2018

 

          Para quem busca uma experiência inesquecível digna de filme, a costa leste da África do Sul é o lugar certo.

 

            Quando falamos em África do Sul, a primeira coisa que vem à cabeça são os safáris com leões, girafas, elefantes, ou então, mergulho na gaiola com os grandes Tubarões Brancos.

De fato, a África do Sul oferece tudo isso, mas inacreditavelmente o país não está na lista de prioridades de destinos de mergulho para muita gente, mas esteve entre os 10 melhores dive sites para Jacques Cousteau.

 

Aliwal Shoal

             

            Localizada a 48 km ao sul de Durban, Umkomaas é um pequena cidade costeira de KwaZulu-Natal, África do Sul, e foi fundada quando construíram um porto para exportar açúcar em 1861. Hoje o porto está desativado, mas a cidade continua lá e é no mar que ficam as maiores atrações, no recife que é um banco de areia fossilizado chamado Aliwal Shoal.

 

             A quase 5 km da costa de Umkomaas, Aliwal Shoal não é indicado para quem tem estômago fraco. As entradas no mar são com botes infláveis em alta velocidade e manobras radicais, saltando por cima de ondas altas e os 15 ou 20 minutos de navegação podem ser cruéis para quem costuma marear. No entanto, quem sobreviver terá ótimas recompensas.

              O recife ganhou este nome depois que o navio “Aliwal” colidiu com a formação e naufragou em 1849. Hoje é possível visitar dois naufrágios: MV Produce (1974) a 32m de profundidade e o Nebo (1884) a 24m.

              Os pontos de mergulho oferecem observação de vários tipos de peixes, mamíferos marinhos e invertebrados. Os recifes não são tão coloridos como no Mar Vermelho e Filipinas, mas oferece abrigo perfeito para os peixes pequenos, que acaba atraindo os predadores.

              No verão é possível encontrar raias mantas, tubarão tigre, tubarão baleia e tubarão martelo. No inverno, de Julho a Novembro, a atração principal são os tubarões mangonas (Ragged-tooth-sharks) que se concentram mais nos pontos Cathedral e Raggies Cave e as curiosas garoupas gigantes do tamanho de um fusca, que ficam acompanhando os mergulhadores o tempo todo.

             Nos meses de Junho-Julho ocorre a corrida das sardinhas (Sardine run), uma migração anual desse peixe que atrai diversos predadores frenéticos como pássaros, golfinhos, focas, baleias e tubarões, todos juntos num ballet extraordinário. Esses animais precisam competir entre eles e os humanos que estão ali para pescar mais de 200 mil toneladas de sardinhas, que serão enlatadas ou moídas para virar farinha.

            A profundidade dos mergulhos varia de 12 a 37 metros; a temperatura da água no verão vai de 23° a 25°C e no inverno de 19° a 21°C, visibilidade pode variar de 5 a 40 metros dependendo da condição do mar.

 

Baited Shark Dive:

 

            Esse é um tipo de mergulho de adrenalina pura que começa a ficar legal logo que o bote chega no ponto e as iscas são jogadas no mar. Em poucos minutos a água começa a “ferver” de tanta barbatana de tubarão rodeando o bote. E a entrada na água? Pois é, a entrada na água é por rolagem dorsal em cima dos tubarões! Pode haver mais de 40 tubarões galha-preta-oceânicos, que não tem medo dos mergulhadores.                Recomenda-se levar um cartão de memória graaande para câmeras e filmadoras.

            No verão é possível fazer o mesmo tipo de mergulho com tubarões tigres, porém em outra área de alimentação.

            O mergulho é no “azul”, ou seja, ninguém fica ajoelhado na areia, agarrado em pedra ou coisas do gênero. O mergulhador deve permanecer de “pé”, ter controle da sua flutuabilidade, evitar bater braços e pernas, pois os tubarões passam muito perto e chegam a esbarrar nas pessoas.

            Você achou que a emoção acabou? Calma! Ainda tem a subida no bote e a volta para a praia. A cada término dos mergulhos, as pessoas precisam desequipar na água, passar seu equipamento para o “pangueiro” (piloto) e subir no bote, o que exige um pouco de preparo físico e técnica.

            A volta para a praia é mais light, exceto quando chega na arrebentação. O piloto é obrigado a fazer várias manobras para navegar entre duas ondas, costeando a orla, enquanto acelera o bote na velocidade máxima para que a embarcação literalmente voe sobre as águas, aterrizando na areia.

           Não tem mergulho noturno pela dificuldade de entrar e sair do mar.

           Os melhores pontos: Cathedral, Raggies Cave, Shark Dive e Produce Wreck.

 

Sodwana Bay

 

            A 400 km de Umkomaas fica a província de Maputaland e o local de mergulho é o Sodwana Bay National Park. É o único lugar de mergulho tropical da África do Sul e a visibilidade raramente fica abaixo dos 15m.

           Não é incomum ver golfinhos ou ouvir a canção das baleias, dando assim muito mais emoção na nossa experiência de mergulho.

           A formação dos recifes é de arenito, de plataforma a paredão, variando de 6 a 100 metros de profundidade e veremos muitas formações de pináculos coloridos com corais e esponjas.

           Por representar o sistema de recife de corais mais meridional do mundo, Sodwana tem uma rica biodiversidade marinha com mais de 1200 espécies de peixes (a maior barreira de corais na Austrália tem 1800 espécies). No inverno podemos ver baleias jubarte, raia manta, golfinhos, tartarugas, tubarões diversos e os pequenos Paperfish, Pipefish, Seahorses, Nudibrânquios, Frogfish, corais moles e muito mais.         

            No verão, a baía costuma receber a visita de tubarões baleia e as Magonas fêmeas que sobem para as águas quentes de Sodwana no início da gestação e ficam até meados de Fevereiro.

            A temperatura da água no inverno é em torno de 20° a 22° C e no verão, em torno de 24° C.

            O intervalo de superfície é feito em terra para diminuir o mal estar. É recomendado levar lanche e água ou comprar no único bar que existe na praia, mas dependendo do horário, pode estar fechado.

            Os mergulhos saem às 9h, 11h e, se reservado com antecedência, o mergulho à tarde sai por volta das 13h. Raramente tem mergulho.

           Tanto Sodwana quanto Umkomaas merecem 3 dias de mergulhos cada um.

           Os melhores pontos: Seven Miles, Caves & Overhangs, Pinnacles e Chain.

 

 

Além dos mergulhos:

 

            O país mais desenvolvido do continente africano oferece além de mergulhos radicais, uma gama de passeios culturais, de aventura e vida selvagem para quem gosta de unir as viagens de mergulho com outras atividades.

Cerca de 2h de Sodwana existem algumas reservas para fazer safári podendo se deslocar facilmente de carro e o transfer pode ser negociado direto com o lodge.

          Durban tem um aquário muito bacana e para quem curte um frio na barriga, o estádio de futebol Moses Mabhida tem um pêndulo (swing jump, uma espécie de bungee jump) de 106 metros de altura e custa menos de 200 reais. Além disso, Durban fica a 1h de avião do aeroporto de Nelspruit, um dos principais para quem quiser conhecer o Kruger, o mais famoso e maior parque nacional da África do Sul.

            Para quem acha que safári é algo caro, o Kruger oferece acomodações desde campings até bangalôs com preços bem acessíveis (algo em torno de 150 reais a diária para duas pessoas) em diversas áreas do parque. É recomendado fazer as reservas antecipadas, pois em algumas épocas do ano, não costuma ter vaga. O ideal é de 3 a 5 dias para fazer os safáris, podendo ficar em 2 áreas diferentes do parque. Os safáris podem ser feitos com ônibus/caminhão do próprio parque, mas vão cerca de 20 a 25 pessoas; veículos alugados e você mesmo guia o carro ou contratar um guia particular (recomendo).                       

          Pagamos algo em torno de 600 reais por pessoa para 3 dias de sáfaris (manhã e entardecer), um safári noturno, transfer ida e volta do aeroporto de Nelspruit.

            A cidade de Cape Town também merece uma visita de uns 3 dias. Além das famosas vinícolas da região, o turista poderá conhecer os pinguins africanos em Boulders Beach, o Cabo da Boa Esperança, a Ilha das Focas (Seal Island), conhecer a Table Mountain (à pé, de bondinho, rapel...), mergulhar nas florestas de kelps, com focas, com tubarão sete-guelras e com tubarões brancos em gaiola, cuja temporada é de Fevereiro a Setembro. Prepare-se para o frio...as águas de Cape Town podem variar de 7° a 16° C dependendo da época do ano.

            Para quem quiser se aventurar um pouco mais e está disposto a gastar mais, pode fazer o Gorilla Tracking em Uganda ou Ruanda. Nós escolhemos Uganda, pois a permit para entrar no parque era mais em conta. O custo da viagem para 3 dias, 2 noites (all inclusive), guia particular, transfer ida e volta do aeroporto de Kigali e a permit foi de 955 dólares por pessoa (4 pessoas). 

            Os voos saem de Johanesburgo até Kigali, capital de Ruanda. Depois é preciso pegar o transfer até Uganda, que pode levar o dia todo dependendo das atividades que fizer no caminho.

             A sugestão é conhecer o Museu do Genocídio, passar num mercado central, almoçar em restaurante típico da região (a comida é exótica, mas vale à pena provar), prestar atenção na estrada, pois a paisagem montanhosa com vales cobertos de plantações de todos os tipos é linda, sem contar os africanos e africanas com suas roupas coloridas carregando coisas na cabeça. A fronteira entre os dois países é “terra de ninguém”. Muita bagunça, muita gente, muito carro e jamais recomendaria fazer esse trajeto sozinho sem um guia local.

           O hotel que ficamos nas montanhas de Uganda por uma noite era rústico, quarto espaçoso feito de barro e madeira (tipo casa de sapé), uma cama era confortável com muita, mas muita coberta e uma bolsa de água quente para dormirmos aquecidos no frio de 7°C. Não tem água quente para tomar banho, pois o hotel não tem eletricidade. Toda a energia é à base de luz solar, então para ter banho quente, os atendentes do hotel precisam ferver a água e colocar no reservatório do chuveiro.

          A caminhada com os gorilas pode levar de 1 a 9 horas, dependendo de onde estiver a família. O Bwindi Impenetrable National Park tem diversos portões de entrada e várias famílias de gorilas para visitar. No momento da reserva, é necessário escolher o portão de entrada. Nós ficamos em Buhoma e visitamos a família Bitukura, que tinha 13 indivíduos, sendo que uma fêmea estava grávida. O nosso passeio durou pouco mais de 2:30h, pois encontramos a família na beira da estrada. Ao encontrar os gorilas, os rangers (guardas florestais) deixam ficar 1 hora apenas com os indivíduos, mas nós conseguimos ficar mais tempo! É um passeio muito emocionante, indescritível e vale cada centavo investido.  

          Após a caminhada seguimos viagem para o Lago Bunyonyi, que fica a 2 horas do parque Bwindi em direção a Ruanda. O lago conta com vários resorts de ótima infraestrutura (diária em quarto duplo com all inclusive e passeio de barco custou 90 dólares por pessoa).

 

Com quem mergulhar e onde ficar:

 

Umkomaas:

Mergulho e hotel: Blue Ocean Dive Resort

 

Sodwana Bay:

Mergulho e hotel: Sodwana Bay Lodge Dive Resort

Transfer entre Umkomaas e Sodwana: Coastal Lotus Chauffeur Service

 

Cape Town:

Hotéis diversos, mas o melhor local para ficar é no Waterfront.

Mergulho com focas: Into the Blue

Mergulho com Brancos: Apex Predator

 

Kruger:

Hospedagem: Sanparks

Guia de turismo/transfer: Tours de Mornay

 

Uganda:

Hospedagem: Gorilla Mist Camp e Bunyonyi Overland Resort

Guia de turismo/transfer: Uganda Safari Package

 

Dicas:

  • Levar agasalhos, gorro, protetor labial, pois a amplitude térmica é enorme e costuma fazer frio.

  • Não deixar nada de valor nas malas despachadas, pois tem ocorrido roubo de objetos nos voos que passam por Johanesburgo.

  • Leve medicamentos que costuma utilizar, principalmente os de enjoo.  

  • Na África do Sul a água é potável e não tem muito mosquito, mas em Uganda deve-se usar água mineral até para escovar os dentes, lavar bem as mãos antes de comer para evitar contaminação e usar repelente de inseto.

  • No passeio dos gorilas é obrigatório o uso de meias compridas, calças grossas e blusas de manga comprida, que servem para proteger de formigas, mosquitos e plantas com espinhos. Maiores informações consulte o site do parque ou o seu agente de viagens.

 

 

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© 2020 Erika Beux.