Cocos Island: mergulhos em outra dimensão

May 22, 2017

        Falar sobre a Ilha de Cocos nunca é demais no meio de mergulhadores. Quem já foi sabe muito bem que o lugar é surreal e quem não conhece pessoalmente, com certeza tem Cocos como um dos principais destinos na lista de viagens de mergulhos.

       A Ilha de Cocos, que recebe este nome pela grande quantidade de cocos que haviam no século XVI, quando baleeiros, exploradores, piratas, naturalistas e caçadores de tesouros desembarcavam na ilha para se abastecer de água doce.

         Chatham Bay, nome de um dos pontos de mergulho e uma das bahias que o barco do liveaboard ficava atracado, já foi colônia penal da Costa Rica no século XIX.

         Desde 1978, a ilha e suas ilhotas foram transformadas em Parque Nacional da Ilha de Cocos e a pesca é proibida até o limite de 12 milhas náuticas (aproximadamente 22 km).

        Formada a quase 2 milhões de anos atrás depois de diversos processos de vulcanismos oriundos da movimentação de placas tectônicas, a Ilha de Cocos serve de habitat para inúmeras espécies marinhas locais e migratórias, uma vez que a ilha recebe as correntes vindas tanto do Peru, quanto da Califórnia. Já foram identificadas mais de 1400 espécies marinhas, mais de 600 são endêmicas, ou seja, que só existem em Cocos.

         Além disso, a Ilha de Cocos, por ser banhada pelo Oceano Pacífico e ficar próxima a linha do Equador, também sofre influências dos fenômenos La Niña e El Niño que, dependendo do resfriamento ou aquecimento do oceano, a quantidade de nutrientes disponível é alterada de acordo com a temperatura da água, o que faz com que algumas espécies marinhas podem ser atraídas a visitar Cocos temporariamente.

       A parte da ilha que acima da superfície tem uma vasta e densa cobertura vegetal com mais de 500 espécies de plantas e mais de 200 cachoeiras.

     Para conhecer tudo o que a Ilha de Cocos oferece, embarcamos no Okeanos Aggressor para um liveaboard de 10 dias no paraíso dos mergulhadores.

      Distante 550km do sul de Puntarenas, 36h de navegação no separavam do continente até a ilha. No início, tivemos a impressão que seria entediante navegar todo esse tempo sem mergulhar, mas a integração perfeita do grupo formado por 13 brasileiros e 8 estrangeiros conseguiu fazer a viagem passar tão rápido com as brincadeiras, jogos, vídeos, que quando nos demos por conta, já estávamos atracados na baía de Chatham Bay para o nosso primeiro dia de mergulhos.

       A turma acordou cedo, todos ansiosos para cair na água logo e ver os grandes tubarões martelos.

      Nosso check dive foi nos próprios recifes de Chatham Bay. A correnteza estava leve e logo que caímos na água, demos de cara com o cardume de tubarões martelos, raias negras, tubarões galha-brancas e grandes moreias. Se um mergulho de “boas-vindas” já é assim, imaginem passar 7 dias fazendo de 3 a 4 mergulhos por dia...

     O segundo mergulho foi em Manuelita Island, um dos melhores pontos da ilha, fomos conhecer a estação de limpeza de tubarões martelos, onde alguns peixes retiram os parasitas e pele morta do corpo deles.

     Além dos martelos, vimos 4 tubarões tigres, novamente raias negras e na parada de segurança, fomos literalmente envolvidos por um enorme cardume de xaréus, que nos deixou desnorteados e sem referência por alguns instantes. Cada vez que saíamos da água, a felicidade era tanta que todos os mergulhadores vibravam vigorosamente de tão impressionados com a explosão de vida marinha vista num único mergulho.

     A maioria dos pontos de mergulho tinham forte correnteza, o que nos obrigava a ficar agarrados nas pedras.

      Além de Manuelita Island, os melhores pontos de mergulho foram Dirty Rock e Alcyone, pela quantidade de tubarões martelos que avistamos, por aparecerem tubarões tigres e de galápagos, bem como os inúmeros tubarões galha-brancas. Em Submerged Rock nos encantamos pela grutinha cheia de peixes. Já em Big dos Amigos os peixes nadavam de cabeça para baixo dentro da gruta e em Pajara Island, vimos um enorme cardume de cangulos acasalando.

     Tivemos 3 dias de mergulhos noturnos, todos recheados de tubarões galha-brancas caçando e “jurel negros”, uma espécie de peixe grande que também se aproveita das luzes das lanternas para caçar os peixes à noite no meio dos corais.

     Perdemos a conta de quantos tubarões nos cercavam à noite. Um dos grupos de mergulhadores foi surpreendido por um grande tubarão de galápagos que resolveu dar um “oi” no mergulho noturno da galera, despertando um nível inigualável de emoção.

      Em 10 dias de liveaboard, mergulhamos 7 dias e fizemos ao todo 24 mergulhos com muita adrenalina.

    A viagem para Ilha de Cocos é tão surreal, que é muito difícil descrever os sentimentos de estar num lugar remoto, o qual é considerado um dos melhores pontos para se mergulhar no mundo, longe de tudo e de todos, mergulhando o dia todo com animais incríveis e em perfeita harmonia, e nas horas vagas ainda conviver com pessoas fantásticas (turistas e staffs).

    Mesmo semanas depois de voltarmos para nossas casas, para as rotinas de trabalho e compromissos pessoais, mantemos contato com os amigos que estavam na viagem e o efeito inebriante que Cocos deixou em todos nós, ainda não passou. Permanece viva a sensação de êxtase total e fica uma saudade imensurável dos dias que passamos embarcados e submersos.    

 

 

 

 

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© 2020 Erika Beux.