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          Bonaire é uma pequena ilha nas Antilhas Holandesas com 39 km de largura e cerca de 5 a 11 km de comprimento, localizada a 60 milhas da costa da Venezuela e que juntamente com Aruba e Curaçao, formam o chamado ABC do Caribe. Foi durante muito tempo Bonaire foi administrada por Curaçao, mas no final do ano de 2010, passou a ser considerada município holandês, o que gerou mais investimentos na área social principalmente aqueles ligados a educação, saúde e segurança. Seu clima é quente e seco durante a maior parte do ano e suas chuvas se concentram nos meses de outubro, novembro e dezembro, estando a ilha praticamente situada fora da zona dos furacões. Por isso podemos dizer que sempre é verão em Bonaire já que sua temperatura média se situa em torno de 27 graus centígrados. A ilha é um destino que cuida da sua natureza, oferecendo várias atividades de eco-aventura para a diversão como passeio de caiaque, ciclismo de montanha, em função do relevo irregular da ilha, snorkel, observação de pássaros e aves, rapel, windsurf, visitação a cavernas, e outras mais. Bonaire não se resume somente em mergulhos, mas é esse sem dúvidas seu principal atrativo, sendo considerado por muitos um dos melhores e mais fáceis mergulhos de praia do mundo. Na ilha nada de natural pode ser removido e a pesca com arpão é totalmente proibida, sendo a única exceção à captura do peixe-leão que vem infestando as águas de Bonaire, sendo um risco a biodiversidade marinha local.

          

      Seu principal centro comercial é Kralendijk que devido sua colonização tem traços marcantes da arquitetura holandesa, porém não podemos esquecer-nos do povoado de Rincon, que também merece destaque, principalmente por manter preservado as tradições e os traços culturais do passado. Kralendijk possui algumas lojas de souvenis, restaurantes e redes de fast food. As línguas mais faladas são o Holandês, o Inglês, o Espanhol, e o Papiamento (língua local). Cartões de créditos são bem aceitos em quase todos os restaurantes e em algumas lojas. Durante a noite nosso principal point era o Karel’s Pier situado em frente ao Buenos Aires Café, onde ficávamos admirando a caça de alguns tarpões e robalos em busca de pequenos peixes que procuravam nadar no reflexo das luzes do próprio pier, tudo isso tomando uma boa cerveja gelada ou saboreando um sorvete de frutas.

       

      Bonaire é conhecida por ser uma das ilhas mais seguras do Caribe, porém é importante tomar precauções para se manter seguro. É bom sempre utilizar o cofre do quarto do hotel para poder guardar os dólares, os passaportes e os cartões de créditos, quando for sair para mergulhar. Uma outra dica interessante é que você sempre deixe os vidros dos automóveis abertos enquanto estiver mergulhando para dar a impressão que não existe nada de valor no automóvel para se levar. Existem históricos de carros com vidros quebrados pelo fato dos mesmos estarem fechados. Por isso não deixávamos nada de valor na pick up para evitar maiores problemas. Na hora da sede é importante lembrar que a água do mar da ilha é dessalinizada e depois transformada em potável, sendo reconhecida mundialmente por sua boa qualidade. Você pode beber a água direto da torneira se quiser e geralmente era isso que fazíamos, pois devido ao calor e ao elevado número de mergulhos que geralmente são realizados, se hidratar é fundamental.

          

         Sobre a viagem, a mesma foi longa e até cansativa, visto que saímos inicialmente de Fortaleza rumo a São Paulo e após quase nove horas de voos, chegamos enfim a cidade de Caracas onde iríamos pernoitar. No início da manhã do dia seguinte pegamos um táxi para o aeroporto e de lá um voo inicialmente para Aruba onde passaríamos três dias fazendo algumas compras e visitando parte dessa ilha que não tínhamos conhecido no ano anterior. Finalmente chega o momento de embarcarmos para Bonaire e a ansiedade para mergulhar nesse lugar maravilhoso era enorme. Chegando a chegada a ilha, tratamos logo de alugar uma pick up no próprio aeroporto e de lá seguimos guiado por um mapa para o hotel onde ficaríamos hospedados pelos próximos seis dias.

Mergulhando pela primeira vez em Bonaire:

       Chegou o esperado dia em que iríamos mergulhar naquele mar maravilhoso onde a visibilidade da água fica normalmente por volta dos 30 metros, podendo também chegar aos 50 metros em alguns locais dependendo de alguns fatores naturais como as correntes e os ventos. A temperatura da água estava ótima ficando próxima de 27° em média, dispensando assim o uso de grossas roupas isotérmicas. Dos 86 pontos de mergulho existentes em Bonaire conhecemos poucos, porém procuramos aproveitar o máximo de cada um. É importante lembrar que são registrados na ilha mais de 470 espécies de peixes em seus recifes de corais. Bonaire é considerada como um dos principais destinos do Caribe para foto-sub, sendo ideal para iniciantes e até mesmo para os mais avançados, e era isso que mais nos deixava motivados. Seu relevo submarino é basicamente regular e ao redor da ilha existe uma plataforma rasa de aproximadamente 12 metros de profundidade. Ao norte de Bonaire concentramos boa parte de nossos mergulhos, onde existe um paredão bem próximo da praia que, em alguns, pontos ultrapassam os 80 metros de profundidade.

Os pontos de mergulho que marcaram essa viagem:

        Andréas foi onde realizamos o nosso primeiro mergulho na ilha, e para que pudéssemos chegar até o local foi uma verdadeira comédia, pois devido ao fato do mesmo ficar situado em um conjunto habitacional, acabamos dando voltas e voltas pelo mesmo lugar. Após algum tempo perdidos, conseguimos nos situar e acabamos encontrando o acesso a praia. Era quase 1 hora da tarde e daí foi só montar o equipamento scuba, calibrar minha câmera e descer cerca de 100 metros do estacionamento até a entrada no mar, que por sinal foi bem tranqüila, levando em consideração nossa ansiedade. O mergulho nesse ponto que normalmente tem profundidade máxima de 25 metros se caracteriza por uma faixa de corais em meio a uma área arenosa onde a presença dos parrofish é marcante, além logicamente de outras espécies como cirurgiões, cardumes de xilas, moréias, corais cérebros e árvores de corais moles que preenchiam o ambiente. Ficamos de início encantados, mas Bonaire era muito mais do que tínhamos presenciado até esse momento, visto que nós estávamos apenas começando a conhecer o mundo submerso da ilha.

        

        Oil Slick Leap fica situado a menos de 100 metros do hotel Caribbean Club e sua entrada se faz através do passo de gigante a partir de uma área rochosa e a saída por uma escada de ferro no próprio local. É um mergulho muito fácil e a bóia de marcação está bem próxima do paredão rochoso. Foi o nosso segundo mergulho do dia e na ilha, isso já por volta das 19 horas, mas apesar do horário, o sol ainda não tinha se posto e o hotel onde estávamos hospedados ficava quase vizinho do ponto de mergulho, o que nos deixava tranqüilo e sem pressa podendo assim apreciar melhor a beleza do local. Caracterizando o que vimos nesse ponto, são muitos os corais chifre-de-veado, os corais moles, as grandes gorgônias e os inúmeros peixes como peixe-porco, trombetas, cirurgiões, ciliares, frades, bodiões e muitos outros. É um mergulho que, na nossa opinião, consideramos como obrigatório na ilha e que certamente você pode repetir em uma mesma viagem. Como escureceu rápido, saimos após meia hora de um ótimo mergulho e assim retornamos ao hotel para lavar os equipamentos e avaliar as fotos realizadas. Foi nosso último mergulho do dia, pois eu, Ruver, estava vindo de uma forte gripe e ainda estava me recuperando e precisava descansar para os outros dias.

        

       Tendo melhorado da gripe e não estando mais com febre me juntei com um grupo que tinha vindo de São Paulo e que já estava na ilha há quase uma semana partimos na conhecer o Washington Slagbbai National Park (área protegida que oferece refúgio a vida selvagem e onde podemos observar um grande número de pássaros, papagaios, periquitos bem coloridos, iguanas e asininos (jegues) encontrados livres por essa reserva natural. Também é marcante a presença de muitos flamingos no lago de sal Gotomeer, considerado seu santuário natural. Para se conhecer o Parque e apreciar o mergulho por lá é preciso de um dia inteiro, e isso se não estiver chovendo o que pode inclusive proibir sua entrada no mesmo. Inicialmente mergulhamos em Waiaka que possui uma beleza paisagística de impressionar. O lugar é simplesmente lindo e ótimo para fotos sendo também uma área perfeita para se praticar snorkeling. Sua entrada se dá do alto de uma pequena falésia, onde logo abaixo se encontra essa pequena praia e sua área de entrada para o mergulho. A vida marinha local é bem exuberante e o local é lindíssimo, e sem dúvidas mais um mergulho imperdível. São muitos os peixes-papagaios, algumas grandes barracudas vistas no azul, corais-negros (uma de suas grandes atrações), esponjas enormes, e diversos outros peixes e corais que compõem o cenário submarino local. É melhor conhecê-la antes de ir à Boka Slagbaai devido ao acesso na estrada.

     

        Nosso segundo mergulho no Parque foi em Boka Slagbaai que, certamente, foi um dos quatro melhores que fizemos na ilha, pois é um lugar realmente com uma natureza exuberante. Sem dúvidas é outro ponto de mergulho a se colocar em uma lista e onde se pode avistar uma grande variedade de vida marinha como os corais chifre-de-alce, muitos corais moles, corais cérebros e corais pétreos. A profundidade que observamos a maior quantidade de vida marinha foi em torno dos 20 metros. Ficamos simplesmente encantados e quase hipnotizados com a variedade e quantidade de peixes e outros animais marinhos como línguas-de-flamingo, peixes-trombeta, garoupas-chita, moreias-pintadas, cardumes de xilas, bodiões diversos, muitas donzelas, poliquetas de diversas cores, caranguejos-aranha, camarões-palhaço, camarões-pedersones, moreias pintadas, cirurgiões, esponjas tubulares enormes, gorgônias, etc.  Pena que esse ponto de mergulho fica em um local tão restrito para se chegar, se não poderia tranquilamente ser realizado por várias vezes em uma mesma viagem. Na saída do Parque foi que conhecemos o povoado de Rincón.

        

            Karpata foi também um dos melhores mergulhos que fizemos na ilha, realizado no início da manhã, por volta das 7 horas. O acesso é feito através da descida de alguns degraus e depois de uma pequena rampa de concreto onde você desce entra na água com tranqüilidade, nada um pouco até a bóia de marcação e desce para outro mergulho fascinante. Para quem gosta de fotografia macro esse ponto é perfeito e rico em diversidade de seres pequenos como caranguejos-aranha, línguas-de-flamingo e camarões limpadores. Sua profundidade média é de aproximadamente 22 metros e a sua visibilidade é fantástica. Em termos de paisagem marinha foi sem dúvidas um dos mais belos locais que conhecemos. É sem dúvida um mergulho imperdível e que pode ser realizado várias vezes.

         

         O mergulho no famoso naufrágio Hilma Hooker, deixamos para realizar somente no penúltimo dia da viagem. Hilma é o maior, o mais importante naufrágio da ilha e um sem dúvidas um dos principais e mais procurados do Caribe, sendo também considerado como outro mergulho obrigatório em Bonaire. Paralelo à costa e a cerca de 30m de profundidade, este se situa na areia entre dois recifes estando praticamente intacto e com a proa apontada para direção sul. O acesso é bem simples pela praia, aonde, após uma breve natação por superfície se chega as três boias de marcação. A última a direita é onde fica a hélice com profundidade em torno dos 27 metros. Preferimos fazer nossa imersão pela última boia citada e logo na descida avistei o imenso navio afundado. Ideal para foto grande angular, com ou sem modelo e rico em vida marinha. Tivemos a presença de caranhas, schoolmarters, esponjas tubulares, frades, corais moles, peixes-trombetas, e principalmente dos grandes tarpões é praticamente certa.

       

        O Buddy’s Reef foi nosso último mergulho na ilha, e certamente pode ser considerado como outro imperdível, podendo ser realizado tanto durante o dia como durante a noite, pois o local, situado na costa do hotel Buddy Dive possui um pier com toda infra-estrutura para mergulho e a vida marinha no local é enorme. Na verdade foram duas imersões nesse ponto e com certeza um dos melhores mergulhos para fotografia que já fizemos principalmente aquelas que têm na composição corais com silhuetas de barcos e mergulhadores. A vida marinha é exuberante destacando os mais diversos tipos de corais, esponjas tubulares, esponjas-barril, crustáceos como camarões-palhaço enormes, caranguejos-aranha, caranguejo-ermitão, ciliares schoomasters, gray snapper (em baixo do pier), coral-sol e outros mais.

       

        Porém existem outros pontos também muito visitados que você pode colocar na sua lista como o Naufrágio Our Confidence, Ol’ Blue (Toro), 1000 Steps (imperdível), Invisibles, Alice in Wonderland, White Slave, Red Slave e o noturno no Salt Pier (só com instrutor ou dive master local). A ilha de Klein Bonaire possui alguns bons pontos de mergulho, porém todos embarcados.

        

           Estamos convictos de que Bonaire não é somente um ótimo destino para mergulho, mas também para passeios de aventura e para algumas opções de lazer, tanto durante o dia como durante a noite. Devido à liberdade que se tem de mergulhar durante as 24 horas do dia, se aprende muito, se ganha muita experiência em mergulho, além de se adquirir mais responsabilidade com essa atividade, exigindo bem mais atenção com sua segurança e de quem estiver próximo a você. Bonaire é realmente o lugar ideal para se ter um grande aprendizado em mergulho, para quem gosta de natureza e fotografia,  e que certamente por esses fatores e outros mais atrai mergulhadores de diversas partes do mundo para lá novamente.

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© 2020 Erika Beux.